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🪐 James Webb e a Supernova Mais Distante Já Vista: Uma Nova Janela Para o Início do Universo

  • Foto do escritor: Sabrina Zenithara
    Sabrina Zenithara
  • há 9 minutos
  • 5 min de leitura

A detecção da supernova mais distante já registrada pelo telescópio James Webb marca um momento histórico para a astronomia moderna. Essa descoberta não apenas quebra recordes, superando o próprio marco anterior do James Webb, como também fornece evidências diretas sobre os primeiros momentos de formação estelar do universo, ainda dentro da chamada era da reionização.


Mas o que essa supernova tem de tão especial? Por que cientistas do mundo inteiro estão comemorando essa detecção? E como esse evento muda a forma como entendemos a história cósmica?


Neste artigo, você vai entender:


  • O que é uma supernova e o que a torna tão importante.

  • Como foi possível detectar esse fenômeno tão distante.

  • Por que o James Webb é considerado o telescópio mais versátil da história.

  • E o que essa descoberta revela sobre o passado (e o futuro) do universo.


James Webb e a Supernova Mais Distante Já Vista
Imagem: NASA, ESA, CSA, D.Coe, B.Welch, Z.Levay

O que é uma supernova?


Uma supernova é o colapso catastrófico de uma estrela massiva, resultando em uma explosão energética capaz de iluminar galáxias inteiras. Existem dois tipos principais:


  • Tipo Ia: ocorre em sistemas binários, quando uma estrela anã branca acumula matéria de sua companheira até explodir.

  • Tipo II: acontece quando uma estrela muito massiva consome seu combustível e colapsa sob sua própria gravidade, gerando uma explosão e liberando elementos pesados no universo.


É justamente esse segundo tipo que foi detectado nesta descoberta, uma estrela gigante que viveu rápido, morreu jovem e brilhou mais do que sua galáxia inteira por um breve momento.


A detecção da supernova mais distante com o James Webb

A protagonista dessa descoberta histórica é uma GRB (Gamma Ray Burst) chamada 250314A, detectada quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos, ou seja, 5% da sua idade atual.


Esse evento só pôde ser identificado graças a uma verdadeira força-tarefa cósmica de telescópios:


  1. Telescópio SVOM detectou a explosão de raios gama (GRB).

  2. Swift (NASA) confirmou a emissão de raios-X.

  3. Nordic Optical Telescope capturou o afterglow (brilho residual) no infravermelho.

  4. VLT (Chile) confirmou a distância com espectroscopia.

  5. E finalmente, o James Webb confirmou que se tratava de uma supernova, além de detectar a galáxia hospedeira, algo que nenhum outro telescópio conseguiu.


Essa descoberta só foi possível graças à capacidade do James Webb de observar no infravermelho, onde os sinais mais antigos e distantes do universo aparecem devido ao efeito conhecido como red shift.


Red shift e o tempo esticado do universo


O chamado desvio para o vermelho (red shift) é o fenômeno pelo qual a luz de objetos muito distantes chega até nós “esticada”, ou seja, com o comprimento de onda aumentado devido à expansão do universo.

No caso dessa supernova, o red shift registrado foi de Z = 7.3, o que a coloca diretamente dentro da era da reionização, uma fase fundamental em que as primeiras estrelas e galáxias começaram a iluminar o universo.


Por que essa supernova importa tanto?


O estudo dessa supernova permite entender uma série de elementos chave sobre o universo primitivo:

  • Confirma que estrelas massivas já existiam antes de 1 bilhão de anos após o Big Bang.

  • Revela que o universo já havia passado por algum enriquecimento químico, ou seja, já havia elementos pesados no ambiente cósmico.

  • Mostra que a física estelar parece ter se mantido consistente ao longo do tempo, as supernovas antigas se comportam de forma muito parecida com as modernas.


Essa comparação entre as supernovas atuais e a supernova detectada pelo James Webb ajuda a validar modelos físicos e cosmológicos, sugerindo uma surpreendente homogeneidade ao longo de bilhões de anos.


A galáxia hospedeira: um ponto quase invisível


Outro feito extraordinário da missão foi a detecção da galáxia hospedeira, uma pequena e jovem galáxia azul, ativa na formação de estrelas. Nenhum outro telescópio além do James Webb teria conseguido detectá-la, tamanha sua fraqueza e distância.

Isso demonstra novamente a importância do JWST em abrir janelas que antes estavam completamente fora do alcance humano.

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Era da Reionização: por que estamos obcecados com esse período?


A era da reionização começou cerca de 380 milhões de anos após o Big Bang e durou até cerca de 1 bilhão de anos. É o intervalo em que:


  • As primeiras estrelas começaram a se formar.

  • A luz começou a viajar livremente pelo universo.

  • Galáxias começaram a crescer em bolhas de gás ionizado.


Imagine que o universo era como um grande quarto muito escuro logo depois que nasceu. Durante um tempo, não dava pra ver nada, era tudo escuro, frio e cheio de uma “névoa” que não deixava a luz passar. Nenhuma estrela tinha nascido ainda. Mas aí, depois de um tempo, começaram a nascer as primeiras estrelas e galáxias.


Essas primeiras luzes eram tão fortes, mas tão fortes, que começaram a limpar essa névoa, como se fossem lanternas acendendo e clareando o quarto. Esse momento, quando a luz das estrelas começou a “limpar” o universo e deixá-lo transparente de novo, é o que os cientistas chamam de "era da reionização".


A supernova detectada pelo James Webb está bem no meio desse período, o que a torna um marco estratégico para estudar como o universo passou das trevas à luz.


E as estrelas da população III?


Um dos grandes objetivos atuais da astronomia é detectar as chamadas estrelas da População III, as primeiras estrelas do universo, formadas apenas de hidrogênio e hélio, sem metais.

Ainda não conseguimos detectá-las com certeza, mas essa supernova provavelmente pertence à População II, o que indica que já havia estrelas anteriores que enriqueceram o universo com elementos pesados.


Conclusão: uma janela para o começo (e para o futuro)

A detecção da supernova mais distante da história é mais do que um novo recorde: é um marco simbólico e científico.

Ela confirma que:


  • A física estelar é mais estável do que imaginávamos.

  • O universo se organizou e brilhou muito cedo.

  • E que nossa busca por sentido no cosmos continua mais viva do que nunca.


E tudo isso só foi possível graças à versatilidade impressionante do telescópio James Webb, que em apenas 4 anos de operação já está reescrevendo a história do universo.


1. O que é a supernova GRB 250314A?É a supernova mais distante já detectada, ocorrida quando o universo tinha apenas 730 milhões de anos.

2. Qual o papel do James Webb nessa descoberta? Confirmou a natureza da supernova e detectou sua galáxia hospedeira.

3. O que é a era da reionização? Período entre 380 milhões e 1 bilhão de anos após o Big Bang, onde a luz começou a se espalhar pelo universo.

4. O que é red shift (Z)?É o desvio da luz para o vermelho causado pela expansão do universo, usado para medir distâncias cósmicas.

5. O que é Reionização? É o nome dado a um dos períodos mais importantes da história do universo. Depois do Big Bang, o universo passou por um tempo escuro, sem estrelas nem galáxias visíveis — esse período é conhecido como "era das trevas cósmica". Quando as primeiras estrelas e galáxias começaram a se formar, sua luz e energia foram tão intensas que "limparam" o universo, tornando-o transparente e iluminado novamente.

Esse processo, que transformou o universo de um lugar opaco para um lugar claro e observável, é chamado de era da reionização. Ele marca o momento em que a luz voltou a viajar livremente pelo espaço, permitindo que os astrônomos observem os eventos mais antigos do cosmos, como a formação das primeiras estrelas e galáxias.

A reionização é fundamental para entendermos como o universo evoluiu e quando ele passou a ser como conhecemos hoje.

6. Essa descoberta muda a física atual? Ela confirma que as leis da física estelar parecem ter se mantido estáveis por bilhões de anos.


Este post foi inspirado nas reflexões de Sergio Sacani.

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